pseudomorte:
Abri a boca para soltar um grito mudo
Liguei o chuveiro para disfarçar as lágrimas que caíam
Temperatura máxima para ver se a dor dispersava
Mas ela continuou ali
Entre soluços e arranhões
Espuma a meus pés
E meus olhos não queriam ver nada além da dor
Que me arrebenta as cordas vocais com silêncio.
Gritos de desespero que ultrapassam a barreira do som
Unhas que marcam e nem dói
No fim, desligo o chuveiro
Agarro na toalha e o espelho embaciado reflete
Não a dor que sinto mas o sorriso que se repete.
Se alguém perguntar isto nunca aconteceu.
Cristina Lemos
Eu queria ter te contado mais de mim, ter contado uma verdade pra cada estrelinha que pontilha a galáxia do teu corpo. Mas eu sempre calo. Esse silêncio que foi se fincando em mim e toma tudo. Só o riso é que fala. Seu nome sussurrado num gemido. Só o corpo é que fala, concorda com o teu. Eu queria ter ido mais fundo, mas e se a gente não volta? E se a gente se afoga outra vez e não tem pedra pra agarrar? Eu queria ter ficado mais perto.
Ele nunca saberá como eu o amo; e não é por ele ser bonito, mas por ser mais parecido comigo do que eu própria. Seja qual for a matéria de que nossas almas são feitas, a minha e a dele são iguais.
a lua está tão linda lá fora
hostilizar:
mas as coisas andam tão tristes aqui dentro
estopim:
a essência quando fala do zodíaco,
não o serial killer, mas a organização
a constelação
killer, shit
eu quero demais reiterar o teu beijo e colar,
com crepe, com sêmen, os nossos corpos
me mata, vai? porque a culpa já me espera
nesse instante, me mate
na tua cama e entre os teus lençóis
ao som de Phill ou de Grimes
me deixa ansiar pelo teu toque aventureiro
desbravador de países, astrólogo, sensual
e ficar deitado imaginando por quais dos meus países
baixos
você poderia gostar de trilhar
e deitar
porque é gostoso imaginar
você sem blusa
a sugar o meu pescoço
feito fruta,
um paladar doce
ao molhar os lábios.
Lucas
O oceano - eu disse -, veja ele lá, golpeando, arrastando-se para cima e para baixo. E embaixo disso tudo, os peixes, os pobres peixes lutando uns contra os outros, comendo uns aos outros. Nós somos como esses peixes, com a diferença de que estamos aqui em cima. Um movimento mal calculado e você já era. É bom ser um campeão. É bom conhecer os próprios movimentos.
Eu era louca, explodia e falava frases imensas sem pausas para respirar quando tudo doía. Eu gritava, chorava e fazia da terra o inferno. Depois, tirava os sapatos, encostava a cabeça no sofá e ficava em silêncio por uma semana. O que eu quero dizer é que, se as pessoas fossem corpos celestes, eu seria uma supernova. Uma estrela, que de dor e caos, explodia. E ia brilhando, cegando, tão quente e intensa quanto uma galáxia. Tudo isso para depois morrer invisível e quietinha: “Finjam que não estou aqui - porque, se parar para pensar, não estou mesmo”.
arcafismo:
teus ‘’nãos’’
são em vão
teus olhos te entregam
eles gritam que querem ficar